Hoje, em Cornélio Procópio, por volta das quatro e meia da tarde, encontrei três homens, em lugares distintos de uma mesma pracinha. O dia está lindo hoje... pelo menos naquele momento estava: o céu estava turvo, e a cidade se encontrava em calma. Estes homens estavam deitados no chão. Posso quase garantir com certeza, que estes homens não têm onde morar, ou até têm, mas estão tão domados pela bebida que não conseguem mais se lembrar de onde moram ou de quem são. Olhei para um deles em especial, admirei como ele estava deitado, uma espressão tranquila, as sandálias quase saindo dos pés. Não posso julgar só de olhar, mas acho que aquele homem se encontrava em paz. Admirei aquele homem. Quis passar um dia na pele dele. Como será sua vida? Ele é feliz? Ele é uma boa pessoa? Ele realmente está em paz? Me lembrei então de como a sociedade funciona: só de pensar em ser uma pessoa que se deita numa praça, olhando para um céu inacreditavelmente lindo, as pessoas se arrepiam de medo deste destino. Ser hippie ou usar drogas entre amigos no meio da rua está totalmente fora de cogitação de suas vidas. Mas afinal,
qual o problema? E se essas pessoas forem felizes? Por que diabos a sociedade não quer que eles sejam pessoas simples e felizes como estão?
Eu admirei aquele homem, e vi como a minha vida, com toda essa boa condição da minha família, talvez seja um vale de assombrações comparada à vida daquele homem. Não duvido nada de que, talvez, ele seja muito, muito mais feliz do que eu.
E qual é o problema?Nada é errado se te faz feliz.
Bob Marley